Novo remédio para tratamento de Alzheimer é aprovado nos EUA: como funciona a droga

Foi aprovada nos Estados Unidos nos últimos dias a medicação mais recente quando se fala em tratamento para Alzheimer, chamada de Lecanemabe ou, comercialmente, Leqembi.

Em outubro de 2022, a farmacêutica Eisai, responsável pela droga, divulgou resultados animadores quanto à eficácia dela na progressão da doença – e, mesmo em meio a polêmicas sobre efeitos colaterais, ela está agora disponível no país com autorização do órgão responsável.

Entenda como age a medicação, em que se baseia a aprovação e quais os riscos associados à ela.

Novo remédio para Alzheimer é aprovado nos Estados Unidos

Medicamento age em placas formadas por uma proteína no cérebro, algo ligado à doença
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Em nota publicada no site da instituição, a Food & Drug Administration (FDA), órgão norte-americano semelhante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovou em 6 de janeiro de 2023 um novo remédio para o tratamento de Alzheimer.

Segundo o órgão, que aprovou a droga por meio de um programa que garante autorizações de forma acelerada devido à escassez de medicamentos para determinadas condições, a medicação foi devidamente testada de forma randomizada em um estudo duplo-cego de fase 3 – e, nele, seus benefícios foram confirmados.

Em outubro de 2022, a farmacêutica japonesa responsável pelo remédio, Eisai, já havia divulgado que, em testes feitos com 1,8 mil participantes que apresentavam sintomas iniciais de Alzheimer, a droga inibiu em 27% a progressão da doença.

Agora, de acordo com o comunicado do FDA, a terceira e última fase do estudo (cujos resultados foram adiantados, mas ainda devem ser protocolados junto à instituição) atestou a eficácia na forma como o medicamento se propõe a agir, reduzindo a formação de um dos principais marcadores do Alzheimer.

Lecanemabe: como funciona

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Ainda que as causas do Alzheimer não sejam completamente conhecidas, médicos já identificaram certos marcadores da doença, ou seja, condições que costumam estar presentes em pacientes no início do desenvolvimento dela.

Um destes marcadores, segundo a nota do FDA, é a formação de placas de uma proteína chamada beta-amilóide no cérebro, algo ligado à destruição das células nervosas e, consequentemente, à degeneração cognitiva.

O Lecanemabe, de acordo com a farmacêutica criadora da droga, visa agir justamente sobre esta proteína, reduzindo o acúmulo dela no cérebro. Assim, a ideia é reduzir o ritmo de progressão da doença, retardando o impacto de sintomas como perda de memória e falta de discernimento.

Riscos associados à medicação

Condição perigosa foi observada como efeito adverso em alguns casos
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Ainda que os resultados dos testes com a medicação sejam animadores, a própria farmacêutica listou a possibilidade de efeitos colaterais graves relacionados a seu uso. Ao longo da fase 3, 6,9% do grupo medicado com Lecanemabe desistiu devido a estes efeitos, que se apresentaram em 14% dos participantes.

O efeito grave mais comum relacionado ao uso da medicação é o surgimento de uma condição chamada ARIA (sigla para Anormalidades de Imagem Relacionadas à Amilóide), responsável por um inchaço temporário em áreas do cérebro que pode ser acompanhado por pontos de sangramento.

Embora parte dos pacientes com ARIA não apresente sintomas, eles podem surgir e incluem dor de cabeça, tontura, confusão mental, náuseas e alterações de visão – e, em alguns casos, o quadro pode se tornar bastante grave.

Complicação comum em terapias que se baseiam no combate à beta-amilóide, a ARIA também é um possível efeito colateral da Aducanumabe, outra medicação já utilizada no tratamento de Alzheimer.

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