Suplementos de ora-pro-nóbis, planta muito consumida em alguns estados brasileiros, são vendidos sob fortes alegações de saúde – e, agora, marcas estão sujeitas a multa
Em meio a uma infinidade de marcas que comercializam suplementos alimentares contendo a planta ora-pro-nóbis, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou a decisão de proibir todos eles. Entenda os motivos abaixo e veja o que se sabe sobre os supostos benefícios da planta.
Anvisa proíbe venda de suplementos com ora-pro-nóbis

A Anvisa publicou nesta semana uma medida que proíbe todos os suplementos alimentares contendo ora-pro-nóbis. Em geral, a planta é vendida em cápsulas por marcas que prometem inúmeros benefícios, como melhora de dores, aumento da disposição, controle da pressão arterial, entre outros. Agora, no entanto, nenhuma empresa pode comercializar esse suplemento sem tomar medidas específicas.
A decisão da Anvisa é pautada, segundo o órgão, pelo fato de que esse ingrediente específico não é autorizado por ele como suplemento alimentar. “Para ser autorizado, é necessário que ele passe por uma avaliação de segurança e eficácia”, afirmou a agência.
Além disso, o órgão regulador frisou também a falta de conformidade entre as alegações sobre essas cápsulas e os fins reais de um suplemento alimentar. “Suplementos não são medicamentos e, por isso, não podem alegar efeitos terapêuticos como tratamento, prevenção ou cura de doenças. Suplementos são destinados a pessoas saudáveis. Sua finalidade é fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos”, pontua a Anvisa.
Segundo o órgão, as empresas que costumam comercializar esse tipo de produto devem retirá-lo das prateleiras e suspender a venda por não haver conformidade com a regulação atual. Quem continuar vendendo suplementos de ora-pro-nóbis está, agora, sujeito a multas. Veja clicando aqui a nota do órgão.

Proibição é definitiva?
A proibição do suplemento seguirá ativa até que empresas que queiram comercializá-lo tomem algumas medidas. “Empresas interessadas em comercializar o produto devem comprovar, de forma científica, que ele é fonte de algum nutriente ou substância de relevância para o corpo humano”, disse a Anvisa.
Venda de ora-pro-nóbis in natura também está vetada?
Segundo a Anvisa, a planta fresca, muito utilizada na alimentação cotidiana especialmente em Goiás e Minas Gerais, não é afetada pela medida. As irregularidades estão apenas na venda da planta em cápsulas como suplemento, sob alegações de saúde.

Benefícios da ora-pro-nóbis são reais?
Estudos que listam possíveis benefícios da ora-pro-nóbis são bastante iniciais. O mais conhecido deles é o de que essa PANC (planta alimentícia não convencional) tem de 20 a 25% de proteína nas folhas, valor alto em comparação com outras hortaliças. Além disso, ela também é rica em fibras, favorecendo o funcionamento intestinal.
Por conter antioxidantes naturais, ferro, cálcio, magnésio, zinco, vitaminas A, C e do complexo B, supõe-se que a ora-pro-nóbis é boa para combater radicais livres, fortalecer a imunidade, melhorar a saúde óssea e combater inflamações, além de melhorar a regeneração celular. Nada disso, porém, é totalmente comprovado.

Ainda que haja certo respaldo científico para as alegações, elas pedem testes clínicos em humanos para que haja comprovação. Além disso, é necessário também estudar a dosagem ideal e os efeitos a longo prazo em diversos perfis de pacientes.
É importante frisar também que a maior parte dos benefícios observados estão relacionados ao uso da planta como alimento.