Gislene Charaba, 30, é a temporã de uma família de 4 filhos. Aos 9 anos, ela perdeu a mãe, e, aos 18, o pai. Da ida da matriarca, ficou o sonho de ver a filha ser famosa e aparecer na televisão. Gi Charaba – como ela gosta de ser chamada – começou com cursinhos de modelo e, em 2003, foi coroada Miss Acre.
Em 2016, ela descobriu um tumor na mama, já com 7 cm. O principal sinal da doença foi incomum: uma mudança na pele do seio. Devido às mudanças físicas, a modelo perdeu trabalhos, e o desgaste físico causado pelo tratamento minou ainda mais a carreira.
Sentir na pele as consequências da doença fez Gi levantar uma bandeira que costuma ser hasteada só em outubro e agora ela pede mais compaixão com as mulheres que têm a doença, inclusive ela mesma.
Descoberta de câncer de mama
Em meados de 2014, Gi foi ao ginecologista e informada pelo médico que sua mama tinha alguns nódulos, mas que provavelmente não eram nada de mais. A recomendação do médico foi seguir com um acompanhamento, que eventualmente foi deixado de lado. “Eu nunca imaginaria que aquilo era um câncer e por uma dificuldade financeira, eu parei de pagar o plano e parei de ir ao médico”.
Sintoma incomum
Em março de 2016, ela sentiu um nódulo já crescido em sua mama esquerda. A pele ao redor estava escurecida e enrugada, com aspecto de “casca de laranja”. A lesão era visível quando ela fazia alguma foto de lingerie, e as pessoas que trabalhavam com ela alertaram para o risco.

Alterações na pele da mama, como o escurecimento e o aspecto de casca de laranja, podem surgir quando o tumor pressiona os vasos linfáticos da região, impedindo a adequada circulação de linfa. Em outros casos, o tumor “puxa” a pele por dentro, criando uma espécie de covinha.
Em muitos casos, o tumor no seio provoca sinais parecidos com casca de limão batida, amassada, deformada, etc.
Câncer e metástase
Uma biópsia mostrou que a lesão era, de fato, câncer, e que o tumor já estava com 7 centímetros. Um segundo diagnóstico mostrou que havia também uma metástase no osso esterno, que fica no peito, entre as mamas. “Saber da metástase foi ainda pior que saber do câncer”, conta Gi, que relaciona essa descoberta à gravidade da doença.
As notícias que vieram a seguir foram mais brandas: o tumor era do tipo hormonal, o que significa que ele responde bem ao tratamento, e a metástase se deu pela proximidade da mama com o osso, o que significa que as células cancerígenas não se espalharam pelo corpo.
Tratamento
O tratamento de Gislene ainda está no início: das 16 sessões de quimioterapia, ela já fez as 4 “mais pesadas” e agora está começando as 12 “mais leves”. O tumor que antes tinha 7 cm agora está com 4, e a pele ao redor do tumor já deu uma clareada.
Finalizada a quimio, será feita uma cirurgia – provavelmente uma mastectomia total – e mais algumas sessões de radioterapia. Depois de acabado o tratamento, será preciso esperar 10 anos até que Gislene possa ser considerada totalmente curada.
Impacto na carreira

Mesmo durante o tratamento e apesar da fraqueza, Gi continuou fazendo alguns desfiles, seu ganha-pão. Ela conta que, infelizmente, está em uma profissão em que o que vende é saúde e, por isso, está trabalhando pouco, apesar de ter a seu lado algumas marcas que continuam a acompanhando.
“Quando eu não sabia que estava com câncer, eu estava bem de aparência. Infelizmente é o tratamento que te deixa mal, doente”, desabafa. Mesmo assim, ela conta estar feliz por não ter tido ainda reações tão fortes, como perda de todos os pelos e sensação de peso nas pernas.
Alerta sobre câncer de mama
Gislene é uma das muitas mulheres que descobrem um câncer de mama sem conhecer bem a doença e acaba sem saber ao certo como agir. “Minhas amigas, as modelos que trabalhavam comigo e eu mesma não sabíamos o que é a doença. E eu vi muitas mulheres que ficam enclausuradas, têm vergonha da doença.”
Hoje, ela diz que quer “gritar” tudo isso, em uma tentativa de exorcizar todo o estigma que acompanha o câncer de mama e, nessa tentativa, vem mostrando sua luta em suas redes sociais.

Gi Charaba diz que não quer viver do câncer, mas quer ser uma sobrevivente. “As pessoas só se lembram disso em outubro [em referência à campanha ‘Outubro Rosa’], mas não é suficiente. Só consegui chegar até aqui porque eu tive muita ajuda e existem muitas outras mulheres que não se mostram e também precisam de ajuda, o ano todo”.
Gislene cita o olhar enviesado à mulher careca, a falta de inclusão, o preconceito, o medo e a vergonha como motivos para a doença ser deixada “escondida”. O que ela quer, agora, é mostrar que a mulher com câncer precisa de cuidados especiais, sim, mas precisa ser tratada com respeito e “normalidade”, como qualquer outra pessoa.
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